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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sete internos foram mortos a mando de 3 líderes na Funase de Caruaru, PE.




Trio queria que adolescentes matassem desafetos, diz Francisco Souto Maior.

Seis deles foram queimados; um foi mutilado em 31 de outubro, segundo PM.
Três jovens de 18 anos foram apontados como os mandantes da morte de sete de internos da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) de Caruaru, Agreste de Pernambuco. Em coletiva realizada nesta terça-feira (6), o delegado Francisco Souto Maior disse que eles ordenaram os crimes para matar desafetos. As mortes aconteceram em 30 de outubro.

Em entrevista à TV Asa Branca, Souto Maior afirmou que "eles [os três supostos líderes] tinham uma posição de comando dentro da Funase, e com objetivo de assassinar seus desafetos, determinaram que outros adolescentes da instituição praticassem esses crimes". A suspeita da polícia é que doze adolescentes participaram das mortes.

Ainda segundo o delagado, foi pedido à Justiça que o trio - que supostamente liderou a rebelião - seja colocado em uma instituição para cumprimento de pena de pessoas acima de 18 anos. "Pedimos a prisão preventiva e aguardamos agora a deliberação do poder judiciário. Sobre os menores, nós concluímos a investigação e encaminhamos ao Ministério Público para que possa tomar as providências necessárias.", explicou Souto Maior.

Entenda o caso
 
Sete internos foram mortos durante uma rebelião nod ia 30 de outubro na Funase de Caruaru. De acordo com a Polícia Militar, dos sete, seis morreram queimados e um foi mutilado. Três vítimas tinham 14 anos, duas tinham 15, uma 17 e outra 18.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, anunciou o o advogado Roberto Franca como o novo presidente da Funase no dia 31 de outubro. A mudança ocorreu logo após a rebelião que deixou sete mortos na unidade de Caruaru da fundação.

Do G1 Caruaru.

Policiais precisam empurrar viatura para ela funcionar no Agreste de PE.

Situação aconteceu na frente da Delegacia de Polícia Civil de Garanhuns. 

Trinta e seis viaturas da Polícia Civil foram trocadas, segundo Defesa Social.

Policiais civis precisam se unir para empurrar uma das viaturas para que ela funcione. As imagens foram flagradas pela TV Asa Branca no final da semana passada na frente da Delegacia Seccional de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Outras viaturas foram encontradas com o farol quebrado, o para-brisa trincado, com problemas para abrir as portas por dentro e por fora, além de dificuldades para abrir o porta-malas.

A Secretaria de Defesa Social informou que já foram substituídas 211 viaturas nas Diretorias Integradas do Interior. Em nota, a SDS disse que "especificamente para Policia Civil, 36 novos veículos já estão no Galpão da Comissão de Reaparelhamento em Recife, concluindo a montagem de equipamentos e checagem final, para em seguida serem entregues às unidades policiais".
Carros da polícia estão com problemas em Garanhuns (Foto: Reprodução/TV Asa Branca) 
Carros da polícia estão com problemas em
Garanhuns (Foto: Reprodução/TV Asa Branca).
 
Um policial, que optou por não se identificar, disse à TV Asa Branca que problemas no carro da polícia impossibilitaram uma perseguição após um assalto. "Saímos em perseguição, ficou impossível. O carro não desenvolvia velocidade compatível para acompanhar esse veículo [dos criminosos]. Não foi possível pegar [os suspeitos] por conta da viatura, se fosse uma viatura em condição, um carro mais veloz. Que tenha potência de motor e pneus apropriados. Teríamos tido êxito na missão", afirmou o policial.

De acordo com o este representante do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, o Sinpol, as viaturas deveriam ser trocadas a cada dois anos, mas muitas delas permanecem por muito mais tempo. "Viatura é uma das ferramentas essenciais no trabalho da polícia. Se tiver uma ocorrência e precisar o carro em velocidade você não tem segurança", explicou Artur Pedro.

Prisões
 
Em nota, a SDS informou que de janeiro a outubro deste ano o trabalho integrado das Polícias Civil e Militar em Garanhuns e na região possibilitou a apreensão de 136 armas e a prisão de 593 criminosos.

Do G1 Caruaru com TV Asa Branca.

PMs adiam greve, dão prazo ao governo e suspendem jornada extra.

Policiais e bombeiros decidiram, nesta terça-feira (6), que o estado tem até sexta (10) para abrir negociação. Eles também farão uma operação-padrão.  

PMs e bombeiros de |Pernambuco realziaram ato na frente do palácio do governo (Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press) 

Os policiais e bombeiros militares de Pernambuco adiaram, nesta terça-feira (6), a decretação de uma greve. Eles, no entanto, anunciaram que vão esperar uma resposta do governo do estado com a abertura de negociação salarial até as 14h de sexta-feira (9). A partir desta noite e até o fim desse prazo, farão operação-padrão e realizarão apenas serviços básicos. Ou seja, só atuarão nas ocorrências mais graves. Também decidiram entregar os cargos de jornada extra, que tem sete mil vagas na PM. 

A decisão foi tomada por volta das 20h15, na frente do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do estado. As categorias realizaram um ato público no local. Uma comissão das associações de classe se reunião com representantes do governo, mas não obteve a garantia de abertura do canal de negociações. 

De acordo com José Roberto Vieira, da Associação de Praças de Pernambuco, durante a operação-padrão, os PMs não serão acionados para qualquer ocorrência. “Só vamos atuar nos casos mais graves. Briga de vizinhos e pequenos furtos não serão atendidos.”, afirmou. Os policiais também não vão permitir que pessoas sem curso de direção assuma as viaturas ou saiam em operações com coletes balísticos vencidos.
Comissão de policiais negociou no palácio (Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press) Comissão de policiais negociou no palácio (Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press)
Comissão de policiais negociou no palácio (Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press) 

Com relação aos cargos de jornada extra, Vieira afirmou que as entidades representativas das categorias decidiram que nenhum policial vai passar do horário normal de trabalho. "O governo terá esse prazo até sexta para negociar. Caso não consigamos abrir esse canal, vamos fazer nova assembleia, nos mesmos moldes do movimento que realizamos hoje", acrescentou. 

O movimento dos PMs começou no início da tarde desta terça. Cerca de mil PMs e bombeiros se reuniram na Praça do Derby, na área central do Recife, segundo estimativa da organização. A Polícia Militar não contabilizou a quantidade de manifestantes. De lá, eles seguiram em passeata pelas ruas da cidade, até a sede do governo. No início da noite, eram pelo menos cinco mil manifestantes reunidos, também de acordo com a organização do ato. 

As categorias exigem reajuste salarial. “Hoje, um policial militar ganha R$ 3.219. Queremos aumentar esse salário para R$ 4.800, em 2017, e para R$ 6.300, em 2018”, afirmou José Roberto Vieira, presidente da Associação de Praça de Pernambuco (Aspra). 

Depois da passeata e enquanto os PMs e bombeiros esperavam na frente do Palácio do Campo das Princesas, o comandante da PM, coronel Carlos D’Albuquerque, afirmou que aguarda um posicionamento do governo do estado para apresentar às categorias. “Vamos avaliar os números e saber o que é possível apresentar para os policiais”, declarou. 

Vídeo
 
Em vídeo publicado nesta terça-feira (6) no canal da PMPE no Youtube, horas antes do ato, o comandante-geral da corporação, coronel Carlos D’Albuquerque, informou que não toleraria mais qualquer atitude por parte que seus comandados que desrespeite a hierarquia. O comandante da PM lembra que a Constituição Federal veda aos militares a sindicalização e a greve. 

“Determinamos aos comandantes, chefes e diretores que seus comandados não compareçam, mesmo de folga, a qualquer reunião ou assembleia em que sejam tratados temas que firam a hierarquia e a disciplina. E que fiquem cientes de que medidas serão adotadas na esfera administrativa ou judicial”, ameaçou o coronel D’Albuquerque. 

No pronunciamento, D’Albuquerque anunciou que, diante da ameaça de paralisação dos policiais e bombeiros militares, as negociações para reajustes salariais e melhorias das condições de trabalho das tropas serão conduzidas pelos comandantes gerais das respectivas corporações. 

Até então, as discussões ocorriam com um grupo de trabalho composto por representantes da Secretaria de Administração (SAD-PE) e oficiais a partir da portaria conjunta SAD/SDS nº 60, de julho de 2015. A revogação dessa portaria foi publicada na edição desta terça do Diário Oficial do Estado.

Por G1 PE.

Carga roubada avaliada em R$ 80 mil é recuperada em Garanhuns, Agreste.

Mercadorias estavam em galpão de imóvel alugado por R$ 700, diz polícia. 

Produtos foram levados para a Delegacia de Polícia Civil no município.  

Carga foi recuperada no Bairro Heliópolis em Garanhuns (Foto: Reprodução/TV Asa Branca)
 
Uma carga avaliada em R$ 80 mil foi recuperada na segunda-feira (5) em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. De acordo com a Polícia Militar, o caminhão com os utensílios domésticos foi roubado em Belo Jardim no período da manhã.

Os produtos estavam no galpão de um imóvel que havia sido alugado por R$ 700 no Bairro Heliópolis, conforme a polícia. A PM informou que a empresa responsável pela carga foi acionada. Um representante da empresa e os materiais foram levados para a Delegacia de Polícia Civil.

Do G1 Caruaru.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Grupo é preso por vender droga em mais de 20 cidades de PE, diz polícia.

Casa onde grupo suspeito de tráfico foi preso em Belém de Maria (Foto: Divulgação/Polícia Civil).

Suspeitos transportavam até 1 tonelada de maconha de São Paulo para PE. 

Eles são investigados por dois homicídios; grupo foi preso em Belém de Maria.

Quatro pessoas - três homens e uma mulheres - foram presos nesta sexta-feira (2) durante a "Operação Êxodo" em Belém de Maria, na Mata Sul de Pernambuco, suspeitos de tráfico de drogas. De acordo com o delegado Francisco Caúla, eles traziam a droga de São Paulo e vendiam em pelo menos 20 cidades pernambucanas. Segundo ele, a droga era vendida de Caruaru até os municípios do litoral.

"Em apenas um carregamento, eles chegaram a trazer uma tonelada de maconha. Eles sempre traziam quantidades similares", afirmou o delegado. O grupo fazia o transporte da droga através de caminhões. "A droga não vinha toda junta, era dividida em pequenas quantidades e transportada em vários caminhões. Eles compravam em grandes quantidades e vendiam, também, em grandes quantidades", conforme o delegado.

A negociação da compra da droga em São Paulo era feita por um homem que estava na condicional e viajava para assinar os documentos, segundo Francisco. Ele disse que a loja de material de construção do suspeito em São Paulo está sendo investigada porque pode, segundo Caúla, estar servindo como lugar para lavagem de dinheiro.

Quando a polícia chegou à casa dos criminosos em Belém de Maria, um homem - que não teve a idade divulgada - chegou com R$ 4 mil para comprar de maconha, segundo Francisco. O suspeito foi preso junto com os outros quatro criminosos. "Eles têm ligação com o PCC [Primeiro Comando da Capital]".

O grupo também é suspeito de dois homicídios e assaltos. "Quando alguém atrapalha o trabalho deles, a setença é a morte, por isso a ligação com os homicídios. Sobre os assaltos, a maioria dos crimes que ocorreu nas entradas entre Caruaru e Palmares foi a mando deles", explicou o delegado.

Eles foram autuados por tráfico, associação ao tráfico, assaltos e homicídios. Os homens foram levados ao Presídio Rorenildo da Rocha Leão, em Palmares, e a mulher para a Colônia Penal Femina Bom Pastor, em Recife.

Do G1 Caruaru.

Casal suspeito de tráfico de drogas é preso na rodoviária, em Caruaru.

Denúncia anônima informou que eles chegariam com drogas, diz Polícia Civil.

PC apreendeu 25 kg de maconha com o homem de 20 anos e a mulher de 40.

Um casal suspeito de tráfico de drogas foi preso na sexta-feira (2) no terminal rodoviário de Caruaru, Agreste de Pernambuco. De acordo com a Polícia Civil, uma denúncia anônima informou que um homem de 20 anos e uma mulher de 40 chegariam na rodoviária com drogas.

Ainda segundo a polícia, foram apreendidos com eles na rodoviária 25 kg de maconha. O casal foi levado para à delegacia e permanecem aguardando audiência de custódia.

Do G1 Caruaru.

Grupo explode caixa eletrônico de agência bancária em Xexéu, PE.

Parte da Agência de Xexéu ficou destruída (Foto: Diego Moreira/ Arquivo Pessoal ).

Após a realização da perícia será informado qual tipo de explosivo foi usado.

De acordo com informações da Polícia Civil, parte da agência ficou destruída.


Um caixa eletrônico do Bradesco foi estourado na madrugada desta sexta-feira (2) em uma agência bancária de Xexéu, na Mata Sul do Estado. Segundo a Polícia Civil, a perícia segue sendo feita no local, para saber o tipo de armamento usado para destruir o equipamento que funciona na cidade.

Também não foi informado pela Polícia os detalhes da quantidade de pessoas que participaram da ação e sobre o valor levado após a explosão.De acordo com o delegado titular de Repressão aos Roubos e Furtos de Pernambuco, Paulo Berenguer, os detalhes sobre o caso serão divulgados após a realização da perícia.

"A nossa equipe encontra-se no local. O que podemos adiantar é que o caixa eletrônico e parte da agência foi destruída" diz.

 Do G1 Caruaru.

A humilhação de mendigar por água.

Moradores de Vertentes madrugam na fila para conseguir água.
 
– O que é mais difícil? Dormir com fome ou com sede? – Com sede é muito pior. A gente tá com fome, se deita, dorme pouco, mas dorme. Com sede, não dá. Ou eu bebo água, ou endoideço.

Diante do absurdo, Marlene responde resignada, mas firme. Ela bem sabe. É possível ter ainda menos, mesmo na ausência de tudo. Na casa onde mora, não há geladeira nem fogão. Quase não se vê comida. Mas, principalmente, não há água. O pouco que tem é esverdeada, cheiro forte, mais lama do que vida. Todos os dias, Marlene da Silva dos Santos, 48 anos, e a filha adolescente Roseane vão catar uns baldes num barreiro que nem os bichos querem mais. O mesmo reservatório que, em 2015, o Jornal do Commercio fotografou, já sujo, na periferia de Pedra, Agreste do Estado. Na época, era humilhante ver homem e bicho relegados à mesma sorte. A estiagem prolongada imprimiu à triste sina condição ainda mais desumana. Marlene e sua prole usam a lama (quem nem os bichos querem mais) para lavar prato e tomar banho. De que importa se a pele fica cinzenta ou os pratos cheiram mal? Escolher não é opção. É isso ou nada. 

Marlene já se viu muitas vezes sem arroz nem fubá no armário. Continuou sem, para poder comprar água de beber. Os R$ 575 do Bolsa Família (única renda da casa) sempre acabam antes do final do mês. “Mas eu tô com fome”, dizem filhos e netos. “Um prato de comida, você vai na casa de um parente e come. Água é mais vergonhoso pedir. E toda hora eles estão com sede. São crianças, né?”, justifica a mãe-avó. Ela mora na área mais pobre de Pedra, num bairro conhecido como Olaria. Colocaram uma caixa-d’água para socorrer os moradores, só que o reservatório vive mais vazio do que cheio. “A água que a gente pega lá é quase nada. O que ainda salva é o barreiro sujo”, diz, num agradecimento envergonhado.
Até onde uma mãe suporta ver o filho com sede? A disputa diária por água produz imagens e relatos duros.

– Eu estava com um copo na mão, aí ele mandou eu deixar de beber e dá para ele. Eu dei e fiquei com sede.

Josefa Edilza da Silva, 19, conta, rosto lavado pelas lágrimas, o diálogo mínimo, quase gestual, travado com o filho. Na casa onde mora, no município de Jataúba, os adultos precisam abrir mão da água de beber e de tomar banho em favor das crianças. Não um episódio isolado, mas fato cotidiano. Dezenove bocas para matar a sede. Muitas mulheres, uma dezena de crianças, quase nenhum homem. Socorridos da fome pelo Bolsa Família, nem sempre sobram os 40 centavos para comprar o latão da “água boa”, aquele do chafariz “que dá para beber”. No dia em que a reportagem visitou a família, no mês passado, não havia dinheiro e só restava um pouco de água nos potes, para mais dois dias. “E quando acabar?”. “Tem que esperar o Bolsa entrar. Até lá, não sei.” Josefa vive de indefinição.

Mergulhar no Agreste seco e subjugado ao carro-pipa é se deparar com um regime de exceção, em que a escassez é ainda mais desigual com os que nada (ou quase nada) têm. São os que mais sofrem, porque já sofriam antes. É humilhante ter dinheiro para comprar água e nem assim ter onde encontrá-la. Com os reservatórios da região quase todos secos, é preciso buscá-la cada dia mais longe e a um custo cada vez mais alto. Mas é ainda mais humilhante ter que mendigar por ela.

Luís Carlos olha a água da cacimba
O agricultor Luís Carlos é salvo pela água da cacimba, na área rural de Jataúba
Jataúba, a cidade onde Josefa mora com a família, não vê água nas torneiras há mais de quatro anos. Em toda a área urbana, só existem dois chafarizes para atender à população. O da “água boa” (40 centavos, a lata) e o de “água ruim”. Apesar de a cidade estar no cronograma de distribuição da Compesa, moradores afirmam que, há seis meses, os carros-pipas contratados pela empresa pararam de abastecer o município e agora é “salve-se quem puder pagar”. O motorista Joseilson Alves de Melo diz que a completa dependência da população recrudesceu na cidade uma antiga conhecida dos nordestinos: a indústria da seca. “É a velha humilhação por uma lata d’água. Se resolver o problema do abastecimento, o cidadão pobre e sofrido deixa de ser refém dos que têm o poder de escolher aonde o carro-pipa vai levar água”, critica. Para ele, a seca resiste, não por força da natureza, mas por vontade política (ou pela ausência dela). “No Nordeste, temos água. O que falta é justiça.”

Desemprego ameaça Polo de Confecções

As lavanderias são o coração do polo têxtil do Agreste. A água, a matéria-prima que bombeia e faz esse coração pulsar. Uma não existe sem a outra. Sem água não há lavagem do jeans e sem jeans sai de cena o carro-chefe que movimenta uma das principais economias da região. A crise hídrica, provocada por cinco anos consecutivos de seca, jogou o polo num cenário devastador de demissões, queda nas vendas e fechamento de lavanderias e fabricos. O colapso total da Barragem de Jucazinho, que alimentava as torneiras das cidades produtoras de confecção, foi o golpe derradeiro.

Anderson Pereira dos Santos é um sobrevivente. Resistiu, heroicamente, a uma onda de demissões que atingiu todos que trabalhavam no seu setor. Só sobrou ele. Ficar não lhe trouxe tranquilidade. “Do jeito que eles foram demitidos, eu também posso ser.” Anderson é funcionário da maior lavanderia de Vertentes, uma das cidades do polo de confecções do Agreste. Num trabalho de formiguinha, desfia o jeans, peça a peça, para dar diferentes efeitos de textura a cada uma delas. O medo de Anderson é chegar pela manhã e receber o aviso: “Não precisa mais voltar”. Um temor que não é só dele. Por causa da falta d’água, a lavanderia corre o risco de fechar as portas, até o fim do ano. E colocar na rua, de uma tacada só, 40 funcionários. Em todo o polo de confecções, 20% dos empregos formais já deixaram de existir.

A equação é fatal: não há como trabalhar sem água. E a que tem está cada vez mais cara e difícil de conseguir. Por dia, a lavanderia na qual Anderson é funcionário consome 200 mil litros de água. Antes era abastecida por cinco poços. Dois já secaram. Se ficar dependendo só do carro-pipa, é a falência. Há dois anos, a empresa empregava 60 pessoas. Demitiu 20. A produção também caiu. Reduziu 25% nesse período. A lavanderia recebia, na época, 200 mil peças por mês. Agora só consegue lavar 50 mil peças. “A gente sabe que os empregos da região dependem do jeans. É triste botar um pai de família para fora. Mas não tem o que fazer. Se não chover, o desemprego vai ser geral”, prevê o gerente da empresa, Gilvan Siqueira.

NE 10.