CONVERSANDO COM CARUARU

LEIAM OS NOSSOS BLOGS

segunda-feira, 30 de junho de 2014

32 anos depois, Alemanha e Argélia se encontram novamente

Jogo polêmico de 82 entre Alemanha X Áustria ainda está na memória dos Argelinos.
 
Após 32 anos, a Alemanha volta a enfrentar a Argélia com a derrota na estreia da Copa de 1982 ainda viva na memória. A reedição do confronto ocorrerá nesta segunda-feira, às 17 horas (de Brasília), e terá como palco o estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.

Embora os africanos tenham vencido a partida contra os europeus em 82, eles acabaram eliminados depois de um 2 a 1 para os alemães sobre a Áustria. O resultado classificaria ambas as equipes e foi o que aconteceu. O episódio ficou conhecido como “Vergonha de Gijón”, uma referência à cidade espanhola onde, de acordo com os argelinos, o pacto entre austríacos e germânicos foi posto em ação.

Porém, a seleção da Argélia não vê o embate desta segunda-feira como uma chance de vingança. “Queremos ganhar da Alemanha, como aconteceu em 82, mas o que aconteceu depois desse jogo ficou em 82. Não entraremos em campo com sentimento de vingança. Hoje é outra oportunidade, outro jogo. Nós já estamos nas oitavas de final e isso é outra coisa”, afirmou o atacante Islam Slimani.

A Alemanha, por sua vez, prefere não tocar no assunto e foca no alívio de poder jogar no Sul do Brasil, onde as temperaturas são mais amenas. Com o quartel-general em Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, os germânicos ficaram restritos ao Nordeste, onde, inclusive, fizeram as três primeiras partidas do Mundial.

“Não sei se a temperatura será vantagem ou desvantagem. Tanto a Alemanha quanto a Argélia podem se considerar afortunadas se puderem ser poupadas desse calor abundante que faz no Brasil. Sair do frio para o calor é ruim, mas o contrário nem tanto. Em princípio é algo positivo, mas nós conseguimos lidar bem com a temperatura até aqui”, analisou o técnico Joachim Löw.

A Alemanha evita pensar no favoritismo (Foto: Patrik Stollarz) - AFP.
 
Apesar da ajuda do clima, o treinador não poderá contar com o atacante Podolski devido à lesão muscular. Por isso, Götze formará dupla de ataque com Müller. O lateral direito Boateng pode ser outra ausência, já que ainda luta contra uma inflamação no joelho. Caso ele não possa entrar em campo, o zagueiro Mustafi deverá ser improvisado na posição.

Löw ainda evita tratar a Alemanha como favorita no duelo. "Torneios são maratonas, não são corridas de 100 metros. Muitos países no passado ganharam os seus primeiros três jogos e perderam no quarto. Todos nós vimos isso antes. O time precisa evoluir o seu jogo futebol o tempo todo. Se você consegue isso, então é um golpe de mestre. Há muita luz, mas também muita sombra. Algumas coisas boas, mas outras que não funcionaram tão bem. Nós ganhamos o nosso grupo, que era o primeiro objetivo, então estamos felizes. Mas também somos autocríticos e sabemos que podemos jogar melhor. Ainda não alcançamos o nosso limite ainda, e agora começa a fase de mata-mata, os jogos decisivos estão aí".

Pela primeira vez na fase eliminatória de uma Copa do Mundo, a Argélia não se deixa abater pelo favoritismo alemão, e o zagueiro Halliche terá a difícil missão de parar o artilheiro Thomas Müller. Entretanto, ele sabe a receita. “Como parar Müller? Com alegria e atitude”.

O jogador ainda avisou que a seleção pode surpreender a adversária novamente. “Será um jogo difícil. A Alemanha tem experiência neste tipo de partida, mas nós não temos nada a perder. Vamos lá para jogar tudo o que temos. Por que não fazer uma coisa bonita no Beira-Rio?”.
A Argélia acredita que pode surpreender (Foto: Kirill Kudryavtsev) - AFP.
 
FICHA TÉCNICA
  ALEMANHA X ARGÉLIA

Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS) Data: 30 de junho de 2014, segunda-feira Horário: 17 horas (de Brasília) Árbitro: Emerson de Carvalho (Brasil) Assistentes: Marcelo Van Gasse (Brasil) e Walter Lopez (Guatemala)

ALEMANHA: Neuer, Boateng (Mustafi), Mertesacker, Hummels e Höwedes; Lahm, Schweinsteiger (Khedira) e Kroos; Özil, Müller e Götze Técnico: Joachim Löw

ARGÉLIA: M’Bolhi; Mandi, Belkalem, Halliche e Mesbah; Medjani, Bentaleb, Brahimi, Feghouli e Djabou; Slimani Técnico: Vahid Halilhodži

Porto Alegre (RS) - GAZETA ESPORTIVA.

França pressiona no fim, derrota Nigéria e garante vaga nas quartas.


França e Nigéria entraram em confronto pela primeira vez na história das Copas nesta segunda-feira, às 13 horas (de Brasília) em busca de uma vaga nas quartas de final do Mundial do Brasil. Os Bleus  queriam confirmar o favoritismo enquanto os africanos estavam em busca de um feito histórico. No Estádio Nacional Mané Garrincha, os europeus, após pressão no fim do jogo, conseguiram vencer os adversários por 2 a 0.

O primeiro tempo foi disputado, as duas equipes tiveram chances de gol. Aos 18 minutos, a Nigéria teve um gol anulado por impedimento Emenike. Enquanto isso, a os franceses chegaram ao ataque com perigo com jogadas de Giroud e Benzema.

Na volta dos vestiários, o jogo permaneceu concorrido. As duas equipes tiveram chances incríveis de gol. Os dois técnicos fizeram alterações: A Nigéria por lesão e a França por questão tática. Benzema teve a melhor oportunidade aos 24 minutos, quando a bola estava chegando ao gol, mas Moses tirou na linha. Logo em seguida, os franceses acertaram um chute na trave. Após tanta pressão francesa, o gol saiu aos 34 minutos, com Pogba. A vitória foi selada aos 46, com um gol contra.

Com o resultado, a França enfrenta Alemanha ou Argélia. O duelo entre os germânicos e argelinos acontece ainda nesta segunda-feira, no estádio Beira-Rio, às 17 horas (de Brasília). Enquanto isso, a Nigéria se despede da Copa do Mundo do Brasil.
O duelo foi disputado e, apesar do triunfo francês, a Nigéria teve grandes chances (Foto Célio Messias) - Gazeta Press.
O jogo – No início do primeiro tempo, a França dominou a posse de bola e tentou furar a defesa nigeriana, conseguindo escanteios, mas o gol não saiu. Por outro lado, quando a Nigéria teve a bola nos pés, ficou trocando passes na tentativa de armar jogadas ofensivas fortes.
A primeira grande chance de gol foi apenas aos 18 minutos do primeiro tempo. Musa cruzou pela esquerda para Emenike. O nigeriano escorou para o gol, balançou as redes francesas e partiu para a comemoração. Mas o assistente já tinha marcado impedimento do jogador, que estava em posição irregular.

Um minuto depois, foi a vez de a França ter sua chance impedida. Aos 19, portanto, Valbuena executou ótimo cruzamento pela direita para Benzema; o jogador, sozinho na grande área, furou a bola e perdeu a chance de inaugurar o marcador. Apesar disso, a jogada já estava paralisada, pois o árbitro sinalizou posição ilegal do atacante dos Bleus.

A França se animou e partiu para o ataque com mais força. Aos 21 minutos do primeiro tempo, Pogba puxou contra-ataque após roubada de bola e tocou para Valbuena. O meio-campo devolveu para o volante, que cruzou na grande área e obrigou o goleiro Enyeama para pular e fazer grande defesa para salvar a Nigéria. A partir daí, os africanos passaram a se fechar na defesa.

Na volta dos vestiários, o jogo ficou um pouco mais frio. Aos 9 minutos do da etapa complementar, Matuidi fez falta dura em Onazi, com a sola do pé no tornozelo do jogador nigeriano. Reuben Gabriel precisou entrar no lugar do volante.
Em busca da vitória no tempo regulamentar, o técnico Didier Deschamps colocou Griezmann no lugar de Giroud. Enquanto isso, a Nigéria buscava o gol para inaugurar o marcador. Aos 18 minutos do segundo tempo, Odemwingie puxou da direita para o centro e chutou da entrada da grande área, obrigando Lloris a fazer belíssima defesa.
Aos 24 minutos da etapa complementar, os franceses tiveram a melhor chance de balançar as redes. Benzema realizou tabela com Griezmann e tirou a bola de Enyema, mas antes Moses correu até a linha do gol e evitou para salvar a Nigéria.

Em seguida, o time comandado pelo técnico Didier Deschamps teve uma nova grande oportunidade. Após cobrança de escanteio aos 31 minutos do segundo tempo, Benzema chutou cruzado para o gol, Ambrose afastou, mas Cabaye pegou o rebote e carimbou a trave com um forte chute.
Com a vitória, a França avançou às quartas de final da Copa (Foto: Célio Messias) - Gazeta Press.
Três minutos depois, Valbuena encontrou Benzema livre para cabecear em escanteio, mas Enyama fez outra grande defesa. Após tanta pressão, um minuto depois, os franceses conseguiram fazer o gol aos 34 minutos da etapa complementar. Valbuena cobrou mais um escanteio, Enyama saiu mal e deixou a bola na cabeça de Pogba, que não falhou e estufou as redes nigerianas, inaugurando o marcador para a França.
Embalada com o gol, a França foi para cima. Aos 38 do segundo tempo, Pogba executou bom lançamento para Griezmann, que arrancou em velocidade livre pela esquerda e chutou forte para o gol. Enyeama subiu e espalmou para escanteio.

A vitória foi selada aos 46 minutos da etapa final. Após cobrança curta de escanteio pela esquerda, Valbuena cruzou para Griezmann na pequena área, Yobo tentou fazer o corte, mas acabou mandando para o fudo das redes.

Brasília (DF) - GAZETA ESPORTIVA.

Felipão admite preocupação com falhas recorrentes da sua equipe

O técnico Luiz Felipe Scolari quer fazer da vitória "com emoção" sobre o Chile "uma coisa boa". - Sergio Barzaghi/Gazeta Press.

O técnico Luiz Felipe Scolari não tentou esconder todos os problemas que a Seleção Brasileira  tem enfrentado na Copa do Mundo, apesar da classificação para as quartas de final com vitória sobre o Chile nos pênaltis. Na partida disputada no Mineirão, os anfitriões foram pressionados, sofreram um gol em um vacilo defensivo e mostraram falta de criatividade e oportunismo no ataque.

“É claro que tudo isso nos preocupa um pouco”, admitiu Felipão, que tem lamentado o excesso de nervosismo na busca pelo hexacampeonato em casa. O próprio treinador revelou que, quando está sozinho na concentração, sente-se inseguro com algumas de suas decisões. 

“Mesmo os mais experientes sentem uma Copa do Mundo. Todo o mundo sente. Quem disser que não, estará mentindo”, disse.

De qualquer forma, Felipão acredita que as dificuldades têm calejado a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. “Temos muita gente nova, que vai acrescentando experiência com os jogos, cometendo menos erros. Quando ganhamos dessa forma, com emoção, podemos fazer disso uma coisa boa”, declarou.

As coisas ruins já superadas no Mundial não chegaram a deixar o treinador pessimista. Ao contrário. “Quero dizer a todos os brasileiros que temos uma boa Seleção. Não somos melhores nem piores do que os outros classificados. E jogamos em casa”, animou-se Felipão. 

Helder Júnior, enviado especial Belo Horizonte (MG)  - GAZETA ESPORTIVA.

Costa Rica segue campanha histórica e derruba Grécia nos pênaltis

Quem riu por último em São Lourenço da Mata foram os jogadores da surpreendente Costa Rica  - AFP.

Depois de avançar em primeiro lugar em uma chave que tinha Uruguai, Itália e Inglaterra, a Costa Rica deu sequência à sua boa campanha na Copa do Mundo. Na Arena Pernambuco, a equipe centro-americana derrubou a Grécia nos pênaltis, depois de levar o empate por 1 a 1 aos 45 minutos do segundo tempo.

Conquistado com ótima atuação do goleiro Navas, o resultado em São Lourenço da Mata credenciou a equipe dirigida por Jorge Luís Pinto a brigar com a Holanda por uma vaga entre os quatro melhores do Mundial do Brasil. O confronto está marcado para o próximo sábado, às 17h (de Brasília), em Salvador.

Após um fraco primeiro tempo, no qual só houve uma chance desperdiçada pela Grécia, os costa-riquenhos saíram na frente no início da etapa final, com Bryan Ruiz. A situação da equipe centro-americana se complicou com a expulsão do zagueiro Duarte, por falta cometida aos 20 minutos.

Navas foi bem durante os 120 minutos e pegou esta cobrança de Gekas nos pênaltis - AFP.
 
Com dificuldade para criar, a formação europeia avançou na base da força, colocou zagueiros na área e alcançou o empate já nos acréscimos, com Sokratis Papastathopoulos. A Costa Rica se segurou na prorrogação com ao menos uma grande defesa de Navas e forçou a disputa por pênaltis.
 
Navas voltou a cumprir seu papel no desempate, pegando a cobrança de Gekas. Umaña foi o responsável pela última cobrança, que definiu o triunfo por 5 a 3 dos costa-riquenhos e os colocaram pela primeira vez nas quartas de final de uma Copa do Mundo.

Costa Rica é castigada no fim, mas triunfa no desempate
 
Muito pouco aconteceu nos 45 minutos iniciais na Arena Pernambuco. A Costa Rica teve mais posse de bola do que o adversário, mas uma posse de bola estéril, que nada criou além de uma finalização de Bolaños, aos sete, sem grande perigo para o goleiro Karnezis.

A Grécia também encontrava dificuldade para superar a marcação, motivo pelo qual Karagounis resolveu arriscar de longe, testando a atenção de Navas. Atenção mesmo ele mostrou aos 37, quando Cholevas cruzou da esquerda e Salpingidis apareceu no segundo pau para concluir de pé direito. O goleiro fez ótima defesa com o pé.

Foi a única chance na etapa inicial, mas o jogo melhorou após o intervalo. Os gregos sentiram que podiam atacar mais, chegando em cabeceio de Samaras logo na volta da partida. Já os costa-riquenhos, que não haviam acertado nenhuma bola no gol, acertaram.

Foi aos seis minutos, quando Bolaños recebeu na esquerda de Campbell, que entrou na área puxando a marcação. A bola foi passada pouco à frente da meia-lua, onde Ruiz bateu de primeira de pé esquerdo. O chute fraco entrou no canto esquerdo de um Karnezis sem reação.

A vantagem poderia ter sido ampliada logo em seguida, quando Torosidis tocou com a mão na bola para impedir conclusão de Campbell. O juiz australiano Benjamin Williams não viu ou julgou que o toque foi involuntário, fruto de uma tentativa desastrada de cabeceio.
Sokratis comemorou o empate, mas os gregos perderam a chance de ganhar o jogo na prorrogação - AFP.
 
O português Fernando Santos teve de colocar a Grécia na frente, trocando o volante Samaris pelo atacante Mitroglou. Jorge Luís Pinto mexeu no meio-campo da Costa Rica, com Cubero no lugar de Tejeda. Pouco depois, aos 20, perdeu o zagueiro Duarte, que matou ataque grego e recebeu o segundo cartão amarelo.
 
A formação europeia partiu com maior ímpeto ao ataque, apostando nas entradas de Gekas e Katsouranis – Maniatis, um dos substituídos, saiu claramente irritado. A equipe centro-americana se fechou com a entrada de Acosta e com duas linhas de quatro marcadores. Só Campbell ficava à frente.

As mexidas não resolveram os problemas de criação da Grécia, que foi para cima na força. A Costa Rica se safou de uma boa jogada de Christodoulopoulos pela direita, mas não resistiu a um lançamento de Samaras à área. Gekas conseguiu proteger e bater da entrada da pequena área. Navas defendeu, e Sokratis Papastathopoulos aproveitou o rebote de canela.

Após o empate, conquistado aos 45 minutos, o time de azul esteve perto da virada em cabeceio de Mitroglou espalmado por Navas. Não entrou, mas os gregos chegaram mais inteiros e com mais moral à prorrogação. Superiores no primeiro tempo, quase marcaram com Katsouranis, que acabou bloqueado na pequena área.

Na etapa final, a primeira chance apareceu em um contra-ataque após escanteio da Costa Rica. Eram cinco gregos contra dois costa-riquenhos, mas a jogada não foi armada da melhor maneira. Já nos acréscimos, após jogada pelo alto, Mitroglou saiu na cara de Navas, que fez grande defesa e deixou a definição para os pênaltis.

Com o técnico grego expulso antes das cobranças, quem começou batendo foi a equipe da América Central. Borges, Ruiz, González e Campbell converteram. Mitroglou, Christodoulopoulos e Cholevas balançaram a rede, mas Gekas bateu à meia altura, no canto direito, parando em Navas. Umaña bateu no canto direito e definiu a histórica classificação. 

São Lourenço da Mata (PE) - GAZETA ESPORTIVA.

Nos minutos finais, Holanda supera calor cearense e vira sobre México

Holanda supera calor próximo dos 30ºC e fizeram dois gols após os 42 do segundo tempo (Damien Meyer/AFP). 

O México nunca disputou cinco jogos em uma mesma edição de Copa do Mundo nem tinha atingido as quartas de final em Mundial que não organizasse. Nesta tarde, sob cerca de 30ºC e umidade próxima dos 70% em Fortaleza, fazia esses dados mudar até os 42 minutos do segundo tempo, mas recuou demais. E a Holanda, melhor time da primeira fase, fez dois gols no fim para se classificar vencendo por 2 a 1.

O México se dispôs a jogar e levou perigo até abrir o placar com Giovani dos Santos, aos três minutos do segundo tempo. Mas recuou e provou que não basta encher sua área de jogadores para saber defender e que o goleiro Ochoa, sozinho, não pode ser salvador sempre. Aos 42, Huntelaar, que entrou no lugar de Van Persie, escorou para Sneijder empatar e, aos 48, o próprio Huntelaar converteu pênalti sofrido por Robben.

Chorando, os mexicanos saíram do Castelão aplaudidos por sua torcida, que compareceu em bom número e tiveram o apoio de muitos brasileiros. A festa ficou para os holandeses, que joga às 17 horas (de Brasília) de sábado, na Fonte Nova, em Salvador, contra o vencedor do duelo entre Costa Rica e Grécia, que se enfrentam ainda neste domingo, em Pernambuco.
 
O jogo – A Holanda não abriu mão de sua estratégia baseada quase que exclusivamente nos contra-ataques, mas igualando seu posicionamento ao do México. O time de Louis Van Gaal entrou no Castelão no 3-5-2, com Blind iniciando a partida na zaga e Kuyt na ala esquerda. Aos nove minutos, De Jong saiu por lesão e Indi entrou no seu lugar, indo para a zaga e empurrando Blind como volante, sem mexer na estrutura.
 
A seleção latina também estava armada no 3-5-2. Mas, ao contrário de Sneijder, posicionado de forma mais retraída para lançar Robben ou Van Persie, Giovani dos Santos flutuava entre os volantes rivais para tabelar com Peralta ou o meio-campista que viesse de trás. Além disso, Rafa Márquez era um autentico líbero, alternando-se como zagueiro e volante e comandando a saída de bola.

Aparentemente beneficiado pelo calor cearense, foi fácil para o México encontrar espaço nas pontas para atacar e fazer a bola rodar a área holandesa, explorando, principalmente, as costas de Verhaegh, ala pela direita. Só faltava a bola chegar a Peralta, que ficou ainda mais coberto por atletas de laranja quando os europeus recuaram Verhaegh e Kuyt para jogar no 5-3-2.

Os mexicanos, contudo, responderam chegando com mais gente na frente. Foi assim que Giovani foi à linha de fundo e tocou para Peralta rolar para Herrera, que bateu rente à trave direita de Cillessen, aos 16 minutos. Pouco depois, a seleção verde ainda pediu jogo perigoso quando Herrera teve sua cabeça atingida pela chuteira de Vlaar dentro da área.

Após 20 minutos jogando no campo adversário, o México reduziu seu ritmo e a Holanda passou a soltar um de seus meio-campistas para não tornar Robben e Van Persie os únicos a desafiar três zagueiros. Acabaram dando espaço para Salcido arriscar da intermediária e obrigar Cillessen a fazer excelente defesa, aos 23. 
Giovani dos Santos transformou o jogo mais presente no ataque do México em gol no início do segundo tempo - Wagner Carmo/Gazeta Press.
 
Os europeus só criaram perigo aos 26, quando Van Persie dominou bola perto da pequena área e, diante de Ochoa, bateu para fora. Cinco minutos depois, os dois times tiveram três minutos para se refrescar diante dos cerca de 30ºC na tarde de Fortaleza. Até torcedores deixavam seus lugares para se aglomerar em corredores do Castelão que tivessem sombra.
Quem precisava se cobrir mais era a Holanda, que viu, aos 41, Giovani dos Santos entrar em velocidade pela esquerda de sua defesa na grande área e parar em Cillessen. Os laranjas, porém, podem reclamar de pênalti quando Robben foi travado por Rafa Márquez e Moreno já nos acréscimos – ao dar carrinho, Moreno se machucou e teve que ser trocado por Reyes no intervalo.

Os cerca de 15 minutos nos vestiários não pareceram ser suficientes para o time de melhor campanha da primeira fase da Copa recuperar fôlego, o que foi fatal. Aos três do segundo tempo, Giovani dos Santos escapou da perseguição de Blind e não se intimidou nem com a pressão de Wijnaldum para finalizar da intermediária com precisão no canto esquerdo de Cillessen, abrindo o placar no Ceará.

Enquanto a Holanda tentava encontrar o que fazer diante do gol, deixou Peralta, quase do mesmo lugar em Giovani dos Santos fez o gol, obrigar Cillessen a fazer boa defesa, aos dez minutos. Van Gaal, então, arriscou. Trocou Verhaegh pelo atacante Depay, que se juntou a Robben e Van Persie na frente, com Kuyt virando ala direita e Blind atuou do outro lado. O 3-4-3 virou a solução laranja para seguir na Copa.

O México, por sua vez, se fechou totalmente. E mostrou não ter qualidade defensiva para suportar a pressão sem sofrer sustos. Aos 12, Ochoa mostrou reflexo e espalmou cabeça de De Vrij na trave. Dois minutos depois, Sneijder chutou e a zaga desviou, encobrindo o goleiro e fazendo a bola passar rente à trave.
O goleiro Ochoa segurou a pressão holandesa enquanto pôde e é um dos grandes nomes do México  - Wagner Carmo/Gazeta Press.
 
O técnico Miguel Herrera, porém, não estava mais disposto a espalhar seu time no campo para fechar os espaços para os holandeses. Trocou Giovani dos Santos pelo meio-campista Aquino e deixou claro a aposta no contra-ataque ao sacar Peralta para contar com a correria de Chicharito Hernández.
 
A Holanda, por sua vez, tinha o incansável Robben, que, quando não caia pedindo falta, passava por quem estivesse pela frente, menos por Ochoa, goleiro que usou as pernas para defender chute do atacante aos 28. Em nova parada para hidratação, Van Gaal cansou do discreto Van Persie e confiou no posicionamento de Huntelaar, que passou a dividir com Kuyt a função de referência holandesa na área mexicana.

Com Robben e Depay nas pontas e Sneijder no centro, os europeus tentavam colocar a bola na área de qualquer jeito. Estratégia que deu certo diante de um time que se fechou sem saber marcar. Aos 42 minutos, todos que vestiam verde não se mexeram na área, deixando Huntelaar completamente livre na pequena área para escorar para Sneijder chegar de trás, sozinho, soltando o pé nas redes.

Até o mais confiável defensor mexicano falhou, de forma fatal. Aos 47 minutos, Rafa Márquez, como já tinha feito no primeiro tempo, cometeu falta para parar Robben na grande área. Desta vez, o árbitro marcou pênalti, que Huntelaar cobrou com perfeição para colocar o time de melhor campanha da primeira fase da Copa nas quartas de final.

Fortaleza (CE)  - GAZETA ESPORTIVA.

sábado, 28 de junho de 2014

Inofensivo, Uruguai cai em Maracanaço de artilheiro colombiano

...mas James Rodríguez, camisa 10 colombiano, fez a diferença e desequilibrou para sua seleção -
Fernando Dantas/Gazeta Press.

Sem Luis Suárez, suspenso de nove jogos pela mordida no italiano Giorgio Chiellini, o Uruguai foi um adversário dócil para a Colômbia, no fim da tarde deste sábado, no Maracanã. Perdeu por 2 a 0, com dois belos gols de James Rodríguez (agora artilheiro da Copa do Mundo com cinco), e se tornou a quarta das oito seleções campeãs a ser eliminada de forma precoce do torneio, juntando-se a Espanha, Itália e Inglaterra. Já os colombianos avançam para enfrentar o Brasil, nas quartas de final.

De volta ao palco em que ganharam o título de 1950 (seu segundo e último até aqui), sobre o anfitrião Brasil, os uruguaios não repetiram o feito exitoso de seis décadas atrás, historicamente conhecido como Maracanaço. Pelo contrário: foram surpreendidos por uma seleção que passa das oitavas de final pela primeira vez na competição. E que tentará mais um passo diante justamente dos anfitriões, os quais, mais cedo, passaram nos pênaltis pelo Chile.

O novo duelo sul-americano ocorrerá em Fortaleza, às 17 horas (de Brasília) de sexta-feira, quando o técnico José Pekerman buscará pôr em prática de novo o que se viu neste sábado. Como ele havia prometido na véspera, a Colômbia foi um time maduro, que impôs seu estilo de jogo e abriu o placar, o que lhe possibilitou deter a bola em seu campo de defesa por bastante tempo, com direito a gritos de "olé", ainda na primeira etapa.
Uruguai e Colômbia prometiam um duelo sul-americano de muito equilíbrio no Maracanã...
- Fernando Dantas/Gazeta Press
 
Até lá, porém, precisou não se acovardou diante das entradas duras nos primeiros lances, a maioria delas praticada por Álvaro Pereira. O lateral esquerdo uruguaio definiu o meia Juan Cuadrado como seu alvo e lhe deu um tranco pelas costas com um minuto de bola rolando. Na jogada seguinte, acertou a panturrilha direita do colombiano, e o árbitro assinalou falta sem cartão amarelo.
 
A escolha de Álvaro Pereira não era em vão. Cuadrado seria o jogador mais perigoso da Colômbia até o intervalo. E, pela marcação agressiva que recebia, foi orientado por Pekerman, depois dos 20 minutos, para jogar mais pelo lado oposto do campo. Antes disso, conseguiu passar pelo marcador mais uma vez com facilidade antes de cruzar à meia altura e ver a defesa rival afastar da área.

Enquanto tinha ajuda dos zagueiros, o goleiro uruguaio Fernando Muslera se saía bem. Mas bateu um arremate de longa distância de Zuniga para que ele soltasse a bola dentro da área e fosse obrigado a fazer a defesa em dois tempos. Um rebote não aproveitado, mas que passou confiança aos colombianos para arriscar em direção à meta adversária, qualquer que fosse a distância.

Foi o que fez James Rodríguez aos 27 minutos. Após receber lançamento próximo da meia-lua, ele ajeitou a bola no peito, de costas para o gol, e bateu de primeira, de perna esquerda. A bola passou pela mão direita de Muslera e tocou o travessão antes de se concluir um dos gols mais bonitos do Mundial. O quinto gol do camisa 10 colombiano em quatro partidas disputadas.

O Uruguai tentou responder três minutos depois, em um cruzamento de Edinson Cavani que foi afastado pelos zagueiros. Até então, a única finalização que havia merecido atenção foi um chute de longa distância de Diego Forlán, longe das traves de David Ospina. Desfalcados de Suárez, os bicampeões mundiais estavam sem apetite e só mostravam raiva para polêmicas. Como a que protagonizou Forlán, aos 37, depois de uma dividida com Mario Yepes dentro da área. Ele revidou o tranco, e os dois acabaram repreendidos.

Na jogada seguinte à confusão, após cobrança de escanteio, Cavani tentou desviar de cabeça um chute cruzado de Álvaro González, da entrada da área, mas Ospina fez a defesa e contou com ajuda ainda de marcação de impedimento. O goleiro também foi ajudado pelos próprios uruguaios, que o deixavam prender a bola nos pés para ganhar tempo. Após muita cera, Cavani o apertou e cobrou Forlán por não tê-lo feito.
 
A maior posse de bola na primeira etapa (63% contra 37%) seria igualmente premiada no retorno do intervalo. Aos quatro minutos, a Colômbia pôs o Uruguai na roda, com uma bela troca de passes iniciada por James Rodríguez, na meia direita. Ele tocou na esquerda e correu para o meio da área, onde receberia novamente – em cabeceio do talentoso e tão importante quanto Cuadrado – para chutar de primeira e ampliar a vantagem no Maracanã.

Ferido, o técnico Óscar Tábarez tentou encontrar antídotos no banco de reservas e fez logo duas alterações: Christian Stuani entrou no lugar de Forlan, e Gastón Ramírez substituiu Álvaro Pereira. O Uruguai, contudo, não deu mais sinais vitais dentro de campo, morrendo na praia no Rio de Janeiro, onde já fez festa em um passado remoto.

Tossiro Neto, enviado especial Rio de Janeiro (RJ)-GAZETA ESPORTIVA.

Sampaoli lamenta travessão que impediu “Mineiraço” nas oitavas

Sem Mineiraço, Chile chorou mais uma eliminação nas oitavas de final diante do Brasil - AFP.
 
O Chile esteve perto de comemorar a classificação às quartas de final da Copa do Mundo de 2014, mas o chute de Pinilla a um minuto do fim da prorrogação no duelo contra o Brasil acertou o travessão em Belo Horizonte. O técnico Jorge Sampaoli estava pronto para celebrar o que chamou de Mineiraço, mas depois teve que lamentar.

Com os 90 minutos da partida entre Brasil e Chile encerrados com empate por 1 a 1, a partida foi para a prorrogação. Graças ao travessão da meta defendida por Júlio César, a igualdade persistiu e a decisão saiu nos pênaltis, em que o Brasil venceu por 3 a 2, com as cobranças de Pinilla e Alexis Sánchez defendidas pelo goleiro brasileiro e o chute de Jara acertando a trave.

“A sensação foi de dor quando a bola acertou o travessão. Achamos que era a hora de fazermos história, era a hora do Mineiraço. Aquilo teria marcado um momento histórico para todo o Chile”, lamentou Sampaoli, que compareceu à entrevista coletiva obrigatória após o jogo visivelmente abatido.

O argentino treinador do Chile era considerado um dos trunfos da equipe para tentar derrotar o Brasil, neste sábado em Belo Horizonte. Discípulo de seu compatriota Marcelo Bielsa, que também comandou o time do país andino, ele armou um esquema ofensivo e causou muitas dificuldades à Seleção no Mineirão.

Durante quase todo o jogo, o Chile esteve melhor em campo e mais perto de anotar o segundo gol, impedido uma vez em grande defesa de Júlio César e outra pelo travessão da meta defendida pelo brasileiro.

“A pressão do time e as modificações táticas durante a partida fizeram com que o Brasil fosse neutralizado e que tivesse dúvidas para atacar – não desistiu, mas também não criou e depois ficou aguardando os pênaltis. Não estávamos correndo muito risco. 

No fim quase ganhamos e isso teria nos dado uma grande alegria”, afirmou o treinador.

Belo Horizonte (MG)  - GAZETA
  
ESPORTIVA.


Felipão desabafa contra a arbitragem após a classificação do Brasil


O técnico Luiz Felipe Scolari continua incomodado com as insinuações de favorecimento à seleção anfitriã da Copa do Mundo, motivadas pelo contestado pênalti sobre o centroavante Fred ainda no jogo de abertura, na vitória por 3 a 1 sobre a Croácia. Neste sábado, após o Brasil superar o Chile nos pênaltis e avançar às quartas de final, ele fez questão de tocar no assunto.

“Gostaria de salientar uma coisa que os meus jogadores têm falado. Eles estão apreensivos com tudo o que está acontecendo. O Brasil é o errado em tudo. Estamos vendo erros e dúvidas em relação a pênaltis, a gols... Os árbitros estão reticentes conosco. 

Não dá para toda essa pressão ser só com o Brasil. Se não querem que o nosso time seja campeão, tudo bem. Mas estamos começando a ficar com dúvidas”, atacou Felipão.

A principal queixa do Brasil diante do Chile, além de ter reclamado a marcação de pênaltis, foi um gol anulado pelo árbitro Howard Webb. O inglês viu o atacante Hulk dominar a bola com o braço antes de completar para a rede. “Se é pênalti, é pênalti. Se é gol, é gol. Não pode continuar assim. As coisas precisam continuar iguais para todos”, continuou a protestar o treinador da Seleção, irritado também com a violência dos chilenos. “O Neymar está com a perna desse tamanho!”, esbravejou.
Felipão se irritou com o inglês Howard Webb na classificação do Brasil para as quartas de final - Sergio Barzaghi/Gazeta Press.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já externava a sua preocupação com a postura da arbitragem antes mesmo da vitória nos pênaltis sobre o Chile. Na véspera da partida, Felipão ignorou uma pergunta de um jornalista chileno sobre uma teoria conspiratória para a Seleção ser campeã mundial em casa. Quem se encarregou de rebater foi o chefe do departamento de comunicação da entidade, com impaciência.
Para o capitão Thiago Silva, a polêmica com Fred na partida de estreia já prejudicou o Brasil anteriormente. O zagueiro acredita que a arbitragem do empate sem gols com o México só não assinalou um pênalti sobre o lateral esquerdo Marcelo porque estava receosa com as críticas.

Helder Júnior, enviado especial Belo Horizonte (MG) - GAZETA ESPORTIVA.

Luiz Gustavo leva segundo cartão amarelo e está fora das quartas

Luiz Gustavo está fora das quartas de final da Copa. Jogador recebeu segundo cartão amarelo diante do Chile - AFP.
 
O volante Luiz Gustavo não jogará a partida das quartas de final da Copa do Mundo  pela Seleção Brasileira. O jogador levou o segundo cartão amarelo no Mundial na partida contra o Chile e está suspenso.

No lance do cartão, Luiz Gustavo deu um carrinho no meia chileno Arturo Vidal e levou a advertência. Segundos antes, o jogador já cometera falta dura, mas não levou cartão. "Agora que acabou tudo dá uma tristeza, mas fico feliz por ter ajudado a dar próximo passo. Quem entrar vai dar o melhor", afirmou o jogador em entrevista à ESPN.

Além de Luiz Gustavo, o atacante Neymar, o capitão Thiago Silva e o volante Ramires estavam pendurados. Com receio de perder jogadores para a fase final da competição, a Fifa definiu antes da Copa do Mundo que os cartões serão zerados após as oitavas de final.

Luiz Gustavo é o único volante mais defensivo do elenco brasileiro. Com isso, o técnico Luiz Felipe Scolari poderá colocar Dante na zaga e adiantar David Luiz para a posição. A entrada do zagueiro Henrique também pode acontecer, mas o jogador corre por fora na disputa. 

Belo Horizonte (MG) - GAZETA ESPORTIVA.


Brasil sofre e só vence o Chile nos pênaltis para ir às quartas

Júlio César defendeu duas cobranças chilenas na disputa por pênaltis no Mineirão - Sergio Barzaghi/Gazeta Press.
 
O técnico Luiz Felipe Scolari avisava, antes mesmo da Copa do Mundo, que não gostaria de enfrentar o Chile no mata-mata. A preocupação foi justificada no início da tarde deste sábado, no Mineirão.
A Seleção Brasileira só superou o rival sul-americano por 3 a 2 na disputa de pênaltis após um empate por 1 a 1 no tempo regulamentar da partida. O goleiro Júlio César, vilão no Mundial passado, defendeu as cobranças de Pinilla e Alexis Sánchez e viu Jara chutar na trave. Pelo Brasil, Willian bateu para fora e Hulk desperdiçou, mas David Luiz, Marcelo e Neymar converteram.

Ofensiva no início do dramático confronto em Belo Horizonte, a Seleção abriu o placar com o zagueiro David Luiz, após cobrança de escanteio de Neymar. Permitiu o empate do Chile ainda no primeiro tempo, quando o atacante Sánchez tirou proveito de uma bobeada do esforçado Hulk. Nos minutos que se seguiram com a bola rolando, o time foi pouco criativo e ainda sofreu alguns sustos, como em um chute no travessão, de Pinilla, a um minuto dos pênaltis.

Ainda que sofrido, o resultado ampliou o retrospecto favorável do Brasil sobre o Chile em Copas do Mundo. Antes, o time nacional havia vencido por 4 a 2 nas semifinais de 1962, na casa do oponente, com uma grande atuação de Garrincha (autor de dois gols, assim como Vavá). Os outros dois confrontos também foram válidos por oitavas de final – 4 a 1 em 1998, com César Sampaio e Ronaldo anotando duas vezes cada, e 3 a 0 no Mundial passado, através de Robinho, Juan e Luis Fabiano.

Superado o seu duelo mais difícil com o Chile, a Seleção Brasileira terá quase uma semana para se recuperar tecnicamente para as quartas de final. O encontro com a Colômbia, que eliminou o Uruguai no Maracanã, será apenas na próxima sexta-feira, às 17 horas (de Brasília), no Castelão.

O jogo – Nem parecia que os jogadores brasileiros e chilenos eram adversários no túnel de acesso ao gramado do Mineirão. Companheiros de Barcelona, os atacantes Neymar e Alexis Sánchez se abraçaram e conversaram amistosamente, com sorrisos e afagos, à espera de a partida começar. O lateral direito Daniel Alves fez questão de se juntar aos dois.

Em campo, tudo mudou. As hostilidades entre brasileiros e chilenos começaram nas arquibancadas, com vaias para trechos das execuções dos hinos nacionais dos dois países. E continuaram já nos primeiros minutos de jogo, quando Fernandinho cometeu uma falta dura em Aránguiz, que revidou em Neymar.

O Chile tentou aproveitar aquela empolgação inicial para atacar o Brasil. A iniciativa durou pouco. Depois que Marcelo deu um bom chute de fora da área, que quase acertou a meta aos cinco minutos, os donos da casa passaram a controlar as ações da partida. Principalmente pelo lado esquerdo, onde Neymar e Hulk se revezavam nas arrancadas em velocidade.

O Brasil era mais perigoso, contudo, nas jogadas de bola parada. Foi assim que abriu o placar. Aos 18 minutos, Neymar cobrou escanteio na área do Chile. A dupla de zaga brasileira, então, tirou vantagem da baixa estatura adversária para aparecer com destaque. Thiago Silva desviou o cruzamento com a cabeça, e David Luiz disputou com a coxa com Jara para empurrar a bola para dentro.

Com 1 a 0 no placar, o Brasil se sentiu confortável para permanecer no setor ofensivo, envolvendo o Chile – apesar de Oscar, Daniel Alves e quem mais que atuasse pela direita participarem pouco da partida. Só um erro do time de Luiz Felipe Scolari seria capaz de reanimar os chilenos naquele momento. E foi o que aconteceu.

Aos 32 minutos, Marcelo cobrou um lateral no campo de defesa para Hulk, que dominou de maneira displicente. Vargas tirou proveito para fazer o desarme e acionar Sánchez dentro da área. O amigo de Neymar e Daniel Alves dominou com tranquilidade e finalizou cruzado, sem tanta força, para superar Júlio César e empatar o jogo.

O gol do Chile silenciou momentaneamente a torcida brasileira e entusiasmou a visitante. No gramado, os jogadores chilenos redobraram a rispidez nas disputas de bola e motivaram Neymar a fazer acrobacias a cada falta sofrida, para irritação de Felipão com a arbitragem. Nem mesmo a pressão que o Brasil esboçou no final do primeiro tempo foi suficiente para acalmar o treinador.
Sánchez marcou para o Chile depois de erro de Hulk no primeiro tempo, mas perdeu pênalti mais tarde - AFP.

Aos 35, Neymar quase marcou um gol de cabeça em cruzamento de Oscar, que desviou na defesa chilena. Três minutos depois, o astro brasileiro recebeu um lançamento longo, brigou com três marcadores, e a bola sobrou para Fred concluir para o alto. Daniel Alves também perdeu a timidez e chutou de longe, fazendo Bravo espalmar para cima do travessão. Na defesa, no entanto, a Seleção dava novos sinais de desatenção.

Os sustos sofridos no primeiro tempo claramente incomodaram os comandados de Felipão. Neymar chutou a bola para longe quando a partida foi para o intervalo. No vestiário, o astro deixou de lado as chuteiras douradas e milionárias que ganhou de sua fornecedora de material esportivo para calçar o mesmo modelo utilizado na fase de grupos da Copa do Mundo. Felipão, entretanto, esperou para mexer na sua formação.

O posicionamento do Brasil ao menos foi outro no segundo tempo. Percebendo que o seu time era deficiente no lado direito do ataque, Felipão mandou Hulk atuar mais por ali. Aos nove minutos, a ordem quase acabou premiada com um gol. O atacante dominou a bola com o braço e bateu de joelho para a rede, porém o árbitro inglês Howard Webb viu a irregularidade e interrompeu a festa que os brasileiros já faziam. “Vá tomar no...”, berrou o jogador, revoltado.

Jorge Sampaoli, o técnico argentino do Chile, resolveu entrar em ação naquele instante. Substituiu Vargas por Gutiérrez. Felipão não ficou atrás. Escolheu Jô, atuando em casa por ser atleta do Atlético-MG, para ocupar a vaga de um contestado Fred, mineiro de Teófilo Otoni e ex-jogador do Cruzeiro. A torcida até se alegrou com a mudança, embora tenha se assustado em seguida. Aos 18, Aránguiz bateu forte após cruzamento rasteiro da direita, e Júlio César fez grande defesa para salvar o Brasil.

Muito nervosa, a Seleção começou a oferecer cada vez mais espaços para o Chile atacar. Felipão ainda recorreu a Ramires no lugar de Fernandinho, que mancava em campo. Outros jogadores também pareciam com problemas, porém técnicos, como Daniel Alves. Jô foi mais um a falhar, aos 28 minutos, quando furou um cruzamento de Hulk e enervou Felipão.

Alguns torcedores até tentaram fazer com que a apatia da Seleção Brasileira não se refletisse nas arquibancadas do Mineirão. “Levanta! Levanta! Levanta!”, berraram, para aqueles que estavam sentados, inertes. A maioria só se levantou mesmo aos 38, com uma boa jogada de Hulk, que parou em Bravo. De fato, as razões para alegria eram poucas. Os atletas brasileiros aparentaram alívio com o fim do segundo tempo.

A ordem era mudar completamente de postura na prorrogação. Hulk demonstrou que queria que fosse assim ao correr o campo inteiro com a bola em sua primeira jogada, ser derrubado perto da área e brandir os braços para chamar o público para o jogo. A torcida correspondeu, porém os seus companheiros já não tinham o mesmo vigor físico àquela altura do jogo.

No último tempo da partida com bola rolando, Felipão optou por dar fôlego à equipe brasileira com Willian no posto de Oscar. O Chile, também desgastado, já queria os pênaltis. Medel se jogou em campo e só foi substituído por Rojas depois que a maca entrou para retirá-lo. Em seguida, Pinilla e Gutiérrez ficaram caídos durante o tempo que puderam. “Timinho! Timinho! Timinho!”, reagiram os torcedores.

Quem tinha a missão de não se apequenar no Mineirão era a Seleção Brasileira. O drama já fazia o público ter de mostrar a sua crença aos jogadores antes da decisão por pênaltis: “Eu acredito! Eu acredito! Eu acredito!”. Era mesmo necessário ter fé. Aos 15 minutos, Pinilla dominou bem a bola, girou diante de Thiago Silva e soltou o pé. Só não virou o jogo para o Chile naquele mesmo instante porque acertou o travessão.

David Luiz e Neymar converteram suas cobranças de pênalti contra o Chile (Foto: Washington Alves) - Gazeta Press

A tensão era tamanha que Júlio César chorou antes da disputa de pênaltis. Parecia prever que seria decisivo, defendendo as cobranças de Pinilla e Sánchez, vendo Jara chutar na trave e tendo a sua grande e sonhada redenção em uma Copa do Mundo. Pelo Brasil, Willian bateu para fora e Hulk parou em Bravo, porém David Luiz, Marcelo e Neymar converteram para sacramentar a suada classificação e ir às lágrimas com a extasiada torcida.

Helder Júnior, enviado especial Belo Horizonte (MG). 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Bélgica supera expulsão, elimina Coreia e passa com 100% para pegar EUA

Vertonghen aproveitou o rebote do goleiro e marcou o único gol, que garantiu o triunfo da Bélgica - Djalma Vassão/Gazeta Press.

Já classificada, a Bélgica não precisou de seus principais jogadores nem atuar com 11 durante todo o segundo tempo nesta quinta-feira para garantir 100% de aproveitamento na primeira fase da Copa do Mundo. 

Frágil tecnicamente, a Coreia do Sul perdeu por 1 a 0 e, com apenas um ponto somado, dá adeus ao Mundial.

Os asiáticos foram vítima de sua falta de habilidade com a bola nos pés, o que motivou vaias enquanto os europeus controlavam o jogo no primeiro tempo. Aos 44 da etapa inicial, Defour deixou a Bélgica com um a menos ao acertar as travas da chuteira na canela de um adversário, mas nem com mais atletas em campo a Coreia do Sul pôde exercer pressão útil.

Os sul-coreanos não foram além de uma bola no travessão, que só ocorreu porque Son Heung-Min errou seu cruzamento, aos 13 do segundo tempo. A Bélgica, por sua vez, tinha jogadores melhores até no banco, como Origi, que saiu da reserva para chutar e forçar o rebote que se transformou no gol de Vertonghen, aos 32 minutos.

Após colocar Hazard só aos 41 do segundo tempo e não contar com Alderweireld, Witsel, De Bruyne, Lukaku, Vermaelen e Kompany, a Bélgica chega animada pelas vitórias sobre Argélia, Rússia e Coreia do Sul para enfrentar os Estados Unidos pelas oitavas de final, às 17 horas (de Brasília) de terça-feira em Salvador, na Fonte Nova.



Defour foi expulso no primeiro tempo, após uma entrada mais forte no meio-campo, e prejudicou a Bélgica - Djalma Vassão/Gazeta Press.
 
O jogo – O que ocorreria no primeiro tempo ficou claro segundos após o pontapé inicial, quando o belga Mirallas deixou um sul-coreano no chão ao aplicar drible na grande área e tocou em busca de um companheiro que não o acompanhou. O atacante do Everton era a válvula de escape do time europeu diante do desespero asiático.
 
Precisando vencer, a Coreia do Sul chegou a ter somente o seu goleiro no campo de defesa. No círculo central ou um pouco mais à frente, seus zagueiros eram os únicos a guardar posição, cabendo aos laterais correr para ajudar na frente e, sem a bola, formar uma linha com quatro atletas. Os asiáticos atacavam sempre com sete ou oito jogadores.

A presença na frente, contudo, era atrapalhada pela falta de técnica, tanto que só assustaram em finalização do zagueiro Kim Youg-Gwon, aos dez. a Bélgica se mantinha calma e espalhada no 4-3-2-1, com Fellaini e Mertens e, às vezes, Januzaj tentando ajudar o solitário Mirallas no ataque.

Em contra-ataque, o único atacante chegou a balançar as redes, completamente impedido, aos 19. Mas foi questão de tempo para os favoritos tocarem a bola e irem avançando. Perdidos em meio ao próprio nervosismo, os asiáticos deixaram Mertens completamente livre na pequena área e tiveram sorte, já que o belga isolou a bola.

A tranquilidade europeia aumentava à medida que sul-coreanos até pisavam na bola. Mas a calma virou soberba. Na prática, espaço para atacar. Assim, aos 29, Ki Sung-Yueng obrigou Courtois a se esticar para evitar o gol. Na cobrança do escanteio, Son Heung-Min pressionou a zaga belga e Defour salvou em cima da linha o que seria um gol contra de Lombaerts.

Mas o relógio não dava tranquilidade aos sul-coreanos, que começaram a cometer faltas cada vez mais perto da área, aproximando os belgas de seu gol. 

A entrada mais dura, porém, não foi de um asiático. Aos 44, Defour deixou as travas da chuteira do pé direito na canela de Kim Shin-Wook e foi expulso. A Coreia do Sul, ao menos, tinha vantagem numérica.

No intervalo, o técnico Hong Myung-Bo aproveitou a superioridade e colocou o atacante Lee Keun-Ho. Mas o treinador sul-coreano não podia colocar exatamente o que faltava à sua seleção: qualidade. Os asiáticos atacavam e corriam, mas não sabiam o que fazer quando tinham a bola. Os belgas nem sentiam falta do jogador que perderam pouco antes do intervalo.

Baseando-se ainda mais no contra-ataque, o time europeu só poderia sofrer em caso de azar, o que quase ocorreu em cruzamento errado de Son Heung-Min que acertou o travessão de Cortouis, aos 13 da etapa final. No resto das tentativas adversárias, bastou o bom posicionamento do goleiro do Atlético de Madri para evitar qualquer perigo.
 
A fragilidade asiática era tão grande que o técnico belga Marc Wilmots não precisou colocar em campo tão cedo os astros que preservava no banco nem aumentar seu poderio defensivo. Realizou trocas pensando em colocar atletas descansados para ir ao ataque. Teve sucesso.

Uma das apostas do ex-atacante foi Origi, que logo correu e tornou Felaini mais útil, tabelando. Em uma dessas movimentações, o atacante de 19 anos arriscou de fora da área e o goleiro Kim Seung-Gyu deu rebote, facilitando para Vertonghen, capitão belga nesta quinta-feira, abrir o placar em Itaquera, aos 32 minutos do segundo tempo.

Logo após o gol, os sul-coreanos desabaram no gramado, esboçando claro cansaço. Mas tiveram raça para ir à frente e, aos 34, Lee Keun-Ho recebeu lançamento na grande área e chutou por cima. A partir daí, os valentes asiáticos seguiram tentando correr e continuaram vítimas de suas próprias fragilidades técnicas, fundamental para definir a eliminação logo na primeira fase da Copa. Bom para quem veio a Itaquera e pôde ver Hazard em campo por alguns minutos.

Luiz Ricardo Fini e William Correia São Paulo (SP) - GAZETA ESPORTIVA.